Edifícios sustentáveis

O que é sustentabilidade?

A palavra sustentabilidade tem sua origem do latim sustentare, que significa conservar e apoiar algo. Este conceito seria aplicável a longo prazo para obter os benefícios almejados, pois as mudanças não trarão seus benefícios ou “frutos” logo na implantação da atividade ou ferramenta. Hoje, este tema é muito disseminado devido à necessidade de obter uma melhor qualidade de vida.

O conceito de sustentabilidade possui essencialmente três pilares, sendo não necessariamente nesta ordem: Ambiental, Social e Financeiro. Para ser sustentável o empreendimento terá a mesma funcionalidade de um edifício comum, porém o mesmo deverá agredir menos o meio ambiente, beneficiar direta ou indiretamente a sociedade, e estes benefícios podem ser alcançados por meio de recursos que, empregados corretamente, poderão gerar a economia de capital.

Desta forma, a sustentabilidade está intimamente relacionada com a responsabilidade social, ou seja, gerar benefícios não somente ao proprietário e à construtora, mais visar também o benefício daqueles que utilizarão o espaço, assim como tentar prever as consequências geradas pela construção, o que já é previsto no plano diretor, deste modo, o projeto deverá prever a possível alteração na característica do local, como por exemplo, fluxo de carros, alteração paisagística, mobilidade urbana em relação ao transporte público, entre outros.

Na figura abaixo vemos um diagrama que organiza os diversos processos de uma construção no contexto sustentável:

Antes de o edifício existir, há todo um processo, desde o proprietário e a construtora até as pessoas que moram próximo ao edifício. Todos estão envolvidos e correlacionados, pois interagem, seja direta ou indiretamente com a proposta do empreendimento. Como resultado, todos têm uma parcela de responsabilidade; por exemplo: não basta empregar um recurso para economia de água, deve-se também pensar em como transmitir a informação de como utilizá-lo, seja por meio de treinamentos ou comunicação visual (sinalizações autoexplicativas).

Tal processo tem o objetivo de levar consciência aos possíveis usuários, os quais podem não conhecer a ferramenta e, de modo consequente, colaborar com o desperdício de recursos pelo mau uso do equipamento.

Na imagem abaixo vemos a relação do que é necessário para que sustentabilidade exista:

Consequências geradas pelo homem.

Antigamente, as formas de expansão das cidades eram baseadas no urbanismo progressista, o qual, de forma geral, visava a expansão horizontalizada da cidade sem respeitar sua topografia e o meio ambiente.

Com o avanço da tecnologia (industrialização) a população, antes rural, tornou-se mais urbana, obrigando as cidades a aumentarem seu domínio. Como resultado da expansão descomedida da cidade, a exploração dos recursos naturais sem consciência e o considerável volume de gases lançados na atmosfera pelas indústrias e veículos, o meio ambiente reagiu desencadeando vários tipos de desastres naturais, aos poucos o clima, que antes era consideravelmente estável, mudou, hoje temos extremos em períodos razoavelmente curtos, várias espécies de animais e plantas foram extintas, diversos tipos de enfermidades surgiram (ebola, zika vírus, super bactérias e etc.), além disso a camada de ozônio foi consideravelmente prejudicada, aumentando assim o nível de radiação U.V e U.V.A.

O meio ambiente

O meio ambiente tem cada vez mais se degradado por extração de matéria prima, ou pela poluição. As indústrias retiram esses recursos da natureza sem um planejamento de como “equilibrar a balança”, e foi nesse sentido por muitos anos. Como consequência, a qualidade do ar é consideravelmente ruim e a água já não possui a mesma qualidade, em especial nas grandes metrópoles, incluso os municípios lindeiros às metrópoles.

Na ilustração abaixo podemos observar a simulação do comportamento do vento no meio urbano, podemos concluir que os edifícios formam barreiras físicas impossibilitando a passagem direta do vento, fazendo com que a temperatura no local aumente e a qualidade do ar piore, devido à concentração de pó e gases.

As setas em azul simulam o comportamento do vento quando encontram uma barreira física e desviam de tal barreira, assim não conseguindo passar de forma significativa entre os edifícios.

Os edifícios são construídos normalmente com blocos de concreto, esse material, quando exposto por muito tempo ao sol, absorve o calor, aumentando a temperatura interna da edificação, além disso o telhado normalmente se usa materiais com cores mais escuras, estas por sua vez, absorvem mais calor. Abaixo podemos ver uma imagem que exemplifica o cenário:

Na metrópole o ar é mais seco e nele há uma significativa concentração de poluentes, sendo partículas de pó, gases, microrganismos e outros, além disso, a qualidade da água é mais baixa.

Há vinte anos a água não possuía sabor ou coloração, atualmente abrimos a torneira e vemos um aspecto esbranquiçado e a água possui gosto artificial devido aos tratamentos químicos necessários para a purificação. Na ilustração abaixo podemos ver uma simulação desses eventos causados pela metrópole:

Na imagem abaixo podemos ver com clareza a nuvem de poluentes concentrados, a foto foi extraída do google maps, visão da ponte estaiada para a São Paulo.

Devido ao considerável número de veículos emissores de gases poluentes e ao adensamento das cidades alguns problemas urbanísticos surgiram, como por exemplo as ilhas de calor e as chuvas ácidas. Tais eventos são causados pela falta de circulação dos ventos locais, pois a concentração de arranha céus e edificações residenciais impedem a passagem dos ventos, fazendo com que haja uma concentração maior de poluentes na região, além disso a falta de vegetação nas fachadas, assim como nas vias, favorecem esses eventos. Se as vias fossem mais arborizadas e as fachadas dispusessem de mais vegetação, a temperatura local diminuiria consideravelmente e a qualidade do ar poderia melhorar, pois as plantas auxiliam com a transformação do CO2 (dióxido de carbono) em oxigênio, além de tornar o ambiente mais agradável visualmente.

Na imagem abaixo pode-se observar que, quando as edificações são mais espaçadas e há presença de vegetação, a temperatura do local pode ser amenizada, a qualidade do ar pode aumentar pois a vegetação fará a troca gasosa do gás carbônico pelo oxigênio. Ademais, os jardins verticais e o telhado verde poderão minimizar o uso de ar condicionado na edificação, além disso há a possibilidade de reuso da água pluvial (captação por meio do telhado verde).

A importância dos edifícios sustentáveis

Com o passar do tempo, o homem começou a notar que o clima mudou e que alguns ecossistemas foram mudando, outros foram extintos devido à extração de materiais naturais, à poluição do rio por efluentes tóxicos lançados pelas fábricas, poluição do ar por gases gerados pela metrópole e poluição da terra por meio de aterros sanitários irregulares, reservas de materiais radioativos ou tóxicos no subsolo.

No século XXI a população se conscientizou que os recursos naturais são finitos, e que a extração desenfreada da fauna e flora para fabricar produtos manufaturados causam efeitos colaterais no planeta, nos animais, nos vegetais e, consequentemente, afeta também o ser humano. Desta forma, o conceito de urbanização mudou, o “modelo” de cidade se tornou verticalizado e adensado visando cada vez mais diminuir o impacto no meio ambiente.

As edificações sustentáveis surgiram com o propósito de amenizar os impactos gerados pela megatrópole, utilizando jardins verticais, telhados verdes, captação e reutilização de águas pluviais para uso interno ou externo. Tais medidas diminuem os custos internos da edificação, como água, luz e tratamento de ar (ar condicionado), esses benefícios são os mais populares dentre as empresas, no entanto essas atitudes vão além da economia de capital, pois aumentam a qualidade de vida não só dos colaboradores, mais também do local onde o empreendimento está inserido. Além disso se o município está cadastrado no ICMS ecológico, quanto mais edifícios sustentáveis houver, maior será sua parcela de rendimentos.

Considerando tais características, a proposta de um edifício sustentável, além de ser chamativo e arrojado, irá minimizar o impacto ambiental devido à diminuição no consumo de água e luz, além de possuir valor social, pois promove uma cultura e a melhoria na saúde, não somente dos usuários, mais também ao seu redor (pode melhorar a qualidade do ar, temperatura, reduz o ruído causado pelo trânsito de veículos e pode também diminuir a incidência de chuva ácida e ilhas de calor).

Um exemplo na cidade de São Paulo é o Complexo Rochaverá, o qual possui a certificação LEED – Categoria Gold. Nele foram investidos 20 mil lâmpadas fluorescentes, 10 mil e 400 reatores eletrônicos e aproximadamente 2 mil lâmpadas, esses recursos foram empregados já pensando no custo de manutenção e menor descarte de materiais. Para as lâmpadas foi utilizado o modelo T5 de 28W, que gera em torno de 12,50% de economia. Segundo o engenheiro Luiz Henrique Ceotto, diretor da Tishiman Speyer, o Rochaverá irá consumir 22,406 kWh/ m² representando a metade do padrão brasileiro que foi estimado em 40,96 kWh/ m², além disso, o edifício possui ferramentas para captação e uso de águas pluviais. Abaixo seguem fotos do empreendimento:

Fonte: http://goo.gl/DZuwpQ | Acesso em: 04/04/2016

Incentivos

Um dos mais conhecidos e vantajosos incentivos que existe atualmente é o ICMS Ecológico, pois o mesmo beneficia o empreendedor e o município ao mesmo tempo.

A Constituição de 1989 abriu uma oportunidade para incentivar atitudes sustentáveis, pois incentiva a aplicação de benefícios fiscais para encorajar a criação de projetos sustentáveis. Por meio da constituição foi criado o ICMS sustentável, o qual beneficia os municípios que empregam ferramentas urbanísticas para recuperar ou preservar a flora e fauna. Com esse incentivo as cidades visam criar mais parques, reservas naturais e etc, com o objetivo de se tornarem sustentáveis, a fim de minimizar o impacto no meio ambiente.

Conforme o portal do ICMS ecológico, “o movimento paranaense teve origem na mobilização política de municípios, associada à necessidade de modernizar as políticas públicas ambientais e mediada pelo Poder Legislativo, haja vista que o ICMS Ecológico foi criado ainda por conta da Constituição Estadual, em 1989, tendo sido regulamentado por lei complementar dois anos depois, em 1991.

À época, os municípios mobilizados consideravam-se prejudicados por terem parte do seu território, ou em alguns casos a totalidade, restrito ao uso econômico tradicional por abrigarem mananciais de abastecimento público para municípios vizinhos ou, ainda, por possuírem Unidades de Conservação da Natureza.

Nesse contexto, o ICMS Ecológico surgiu como forma de compensar os municípios que se viam privados do uso de suas terras, espírito legal que, com o tempo, adquiriu novo caráter, o de premiação aos que possuem qualidade na gestão de suas áreas.

Desde que foram criados até os dias atuais, os critérios ambientais e a efetiva aplicação do ICMS Ecológico aprimorou-se graças aos incansáveis esforços do Instituto Ambiental do Paraná – IAP, por intermédio de Wilson Loureiro, um dos profissionais mais atuantes nessa temática em todo o Brasil, coordenador da pasta responsável pelo ICMS Ecológico no IAP e que colaborou com diversos estados brasileiros para a implantação desse mecanismo em seus respectivos ordenamentos jurídicos.

Um dos principais resultados da experiência paranaense é o aumento da superfície das áreas protegidas, além da melhoria na performance qualitativa das Unidades de Conservação, já que esse incentivo econômico está associado a outros instrumentos de política pública que visam à criação, implementação e gestão de Unidades de Conservação e outras áreas protegidas, com o objetivo de formação de corredores ecológicos, o que denota o caráter de integração do ICMS Ecológico em relação às demais políticas públicas ambientais do estado.”

Segundo, Flavio Ojidos, consultor do site ICMS Ecológico “O caminho foi aberto pela Constituição de 1988, que abriu a possibilidade dos estados legislarem a respeito desse tema. O primeiro estado a criar o ICMS ecológico foi o Paraná. Na sequência, veio São Paulo. Vários estados foram legislando a respeito desse tema.”

Fonte: Jornal da Globo | Disponível em: http://goo.gl/Jbelby | Acesso: 08 de março de 2016

Referências

  • Câmara Legislativa

    Constituição Brasileira

  • Disponível em: http://goo.gl/p7suFR
  • Acesso em: 8 de março de 2016
  • MMA

    Ministério do Meio Ambiente

  • Disponível em: http://goo.gl/EtwJIN
  • Acesso em: 8 de março de 2016
  • Globo

    Preservação Ambiental

  • Disponível em: http://goo.gl/xqOsAF
  • Acesso em: 8 de março de 2016
  • Fórum da Construção

    Dicas básicas para um edifício sustentável

  • Disponível em: http://goo.gl/UNwqtp
  • Acesso em: 16 de março de 2016
  • IBDN

    Edifícios sustentáveis no Brasil

  • Disponível em: http://goo.gl/WEcTjf
  • Acesso em: 16 de março de 2016
  • ICMS

    ICMS Ecológico

  • Disponível em: http://goo.gl/7ezAbI
  • Acesso em: 16 de março de 2016
  • OECO

    O que é o ICMS Ecológico?

  • Disponível em: http://goo.gl/uaPHQd
  • Acesso em: 16 de março de 2016